sábado, 7 de agosto de 2010

O que mudou durante esses 18 anos?



Olá, sou Severn Suzuki. Represento a ECO, a organização das crianças em defesa do meio ambiente. Somos um grupo de crianças canadenses, de 12 a 13 anos tentando fazer a nossa parte, contribuir.

Vanessa Suthe, Morgan Geisler, Michelle Quigg e eu. Todo o dinheiro que precisavamos para vir de tão longe conseguimos por nós mesmas para dizer que vocês, adultos, têm que mudar o seu modo de agir. Ao vir aqui hoje, não preciso disfarçar meu objetivo. Estou lutando pelo meu futuro.

Não ter garantia quanto ao meu futuro não é o mesmo que perder uma eleição ou alguns pontos na bolsa se valores. Estou aqui para falar em nome das gerações que estão por vir. Estou aqui para defender as crianças com fome cujos apelos não são ouvidos. Estou aqui para falar em nome dos incontáveis animais morrendo em todo o planeta porque já não têm mais para onde ir. Não podemos mais permanecer ignorados.

Hoje tenho medo de tomar sol por causa dos buracos na camada de ozônio. Tenho medo de respirar esse ar porque não sei que substâncias químicas o estão contaminando. Eu costumava pescar em Vancouver com meu pai até o dia em que pescamos um peixe com câncer. Temos conhecimento de que animais e plantas estão sendo destruídos a cada dia e, em vias de extinção.

Durante toda minha vida eu sonhei ver grandes manadas de animais selvagens, selvas, florestas tropicais repletas de pássaros e borboletas, mas, agora, eu me pergunto se meus filhos vão poder ver tudo isso. Vocês se preocupavam com essas coisas quando tinham a minha idade?

Todas essas coisas acontecem bem diante de nossos olhos e mesmo assim, continuamos agindo como se tivessemos todo o tempo do mundo e todas as soluções. Sou apenas uma criança e não tenho as soluções, mas quero que saibam que vocêm também não têm. Vocês não sabem como reparar os buracos na camada de ozônio. Vocês não sabem como salvas os salmões das águas poluídas.

Vocês não podem ressucitar os animais extintos. Vocês não podem recuperar as florestas que um dia existiram, onde hoje é deserto. Se vocês não podem recuperar nada disso, então, por favor, parem de destruir! Aqui, vocês são os representantes de seus governos, homens de negócios, administradores, jornalistas ou políticos, mas, na verdade, são mães e pais, irmãs e irmãos, tias e tios e todos também são filhos. Sou apenas uma criança, mas sei que todos nós pertencemos a uma sólida família de 5 bilhões de pessoas e ao todo somos 30 milhões de espécies compartilhando o mesmo ar, a mesma água e o mesmo solo.

Nenhum governo, nenhuma fronteira poderá mudar esta realidade. Sou apenas uma criança, mas sei que esse problema atinge a todos nós e devemos
agir como se fôssemos um único mundo rumo a um único objetivo. Apesar da minha raiva, não estou cega. Apesar do meu medo, não sinto medo de dizer ao mundo como me sinto. No meu país, geramos tanto disperdício.

Compramos e jogamos fora, compramos e jogamos fora, compramos e jogamos fora e os países do Norte não compartilham com os que precisam. Mesmo quando temos mais do que o suficiente, temos medo de perder nossas riquezas, medo de compartilhá-las.

No Canadá, temos uma vida privilegiada, com fartura de alimentos, água e moradia. Temos relógios, bicicletas, computadores e aparelhos de TV. Há dois dias, aqui no Brasil, ficamos chocados quando estivemos com crianças que moram nas ruas. Ouçam o que uma delas nos contou: "Eu gostaria de ser rica e, se fosse, daria a todas as crianças de rua, alimentos e roupas, remédios, moradia, amor e carinho."

Se uma criança de rua que não tem nada ainda deseja compartilhar, por que nós que temos tudo somos ainda tão mesquinhos? Não posso deixar de pensar que essas crianças têm a minha idade e que o lugar onde nascemos faz uma grande diferença. Eu poderia ser uma daquelas crianças que vivem nas favelas do Rio. Eu poderia ser uma criança faminta da Somália. Uma Vítima da guerra do Oriente Médio ou uma mendiga da Índia.

Sou apenas uma criança mas ainda assim, sei que se todo o dinheiro gasto nas guerras fosse utilizado para acabar com a pobreza, para achar soluções para os problemas ambientais, que lugar maravilhoso a Terra seria! Na escola, desde o jardim de infância, vocês nos ensinaram a sermos bem comportados.

Vocês nos ensinaram a não brigar com os outros. A resolver as coisas bem. A respeitar os outros.

A Arrumar nossas bagunças. A não maltratar outras criaturas. A dividir e não ser mesquinho. Então, por que vocês fazem justamente o que nos ensinaram a não fazer? Não esqueçam o motivo de estarem assistindo a estas conferências e para quem vocês estão fazendo isso. Vejam-nos como seus próprios filhos. Vocês estão decidindo em que tipo de mundo nós iremos crescer.

Os pais devem ser capazes de confortar seus filhos dizendo-lhes: "Tudo ficará bem, estamos fazendo o que podemos"

Mas que acredito nos possam dizer isso. Estamos sequer na sua lista de prioridades?

Meu pai sempre diz: "Você é aquilo que faz e não aquilo que diz."

Bem,o que vocês fazem, nos fazem chorar a noite. Vocês, adultos. nos dizem que vocês nos amam. Eu desafio vocês . Por Favor, façam sias açoes refletirem as suas palavras.

Obrigado!

Esse discurso ocorreu em junho de 1992 , na conferência da ONU que ocorreu no Rio de Janeiro para o meio ambiente.

Passados 18 anos, nada foi mudado.

5 comentários:

  1. Essa menina falou tudo e está tudo ainda por fazer...Lindo dia, não sei se és pai, mas se fore,um abraço especial!chica

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  2. E espero que não passe mais tanto tempo para realmente começarmos a mudar o mundo.

    Fique com Deus, menino Uelton.
    Um abraço.

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  3. Uelton, eu até poderia dizer que me choca saber que nada mudou. Mas o que me choca é que eu não fiz nada para que o mundo não piorasse. E o que me choca mais ainda é que me vejo daqui para frente mudando muito pouco em prol de um mundo melhor.

    Mas você está fazendo, me fazendo pensar, e quem sabe repensar e mudar ainda.

    abraço

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  4. Renato Russo dizia: "A humanidade é desumana, mas ainda temos chance".
    Será que temos chance ainda? Até acho que sim, mas certamente desperdiçaremos e daqui a 18 anos o mundo terá piorado muito no que se refere ao meio ambiente.
    Pena mesmo!
    Beijos, Uelton.
    Bom fim de semana.

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  5. querido uelton,
    ela disse tudo... mas nada mudou...
    eu ainda creio na humanidade...espero que acordem rapidamente.otimo post...
    bjos.

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